Diversidade no mundo industrial: o futuro é agora

Diversidade no mundo industrial: o futuro é agora

Para entendermos tudo o que está ao redor do tema “Diversidade no mundo da usinagem no Brasil”, é preciso realizar uma breve retrospectiva que nos auxiliará nessa busca.

LEIA MAIS:
Aplicativos que otimizam a produtividade na usinagem
Manufatura: 5 tendências para o futuro
Fresadora CNC: 5 dicas para operá-la melhor

Entendendo a diversidade: restrospectiva

Pois bem, a industrialização brasileira começou na década de 1930, impulsionado pelos impactos da Crise de 29, onde muitos produtores de café, que eram responsáveis pela mais forte atividade econômica no Brasil, entraram em declínio.

Dessa forma, os cafeicultores tiveram de buscar novas alternativas para seus negócios e, assim, iniciou-se a diversificação da economia, que até então era extremamente dependente do café, para agora novos setores, como o têxtil e o alimentício.

Anos depois, já durante a segunda guerra mundial, o Brasil teve um novo episódio do movimento industrial nacional. Puxado pela incapacidade de a Europa exportar produtos devido ao estado pós-guerra, o Brasil focou em se capacitar para substituir importações daquele continente.

Alinhado com os governos Vargas e depois Kubitschek, o Brasil viu novamente um impulsionamento pela criação de estruturas estatais para suportar a industrialização, com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em 1941 e a Companhia Vale do Rio Doce em 1943, por exemplo. Já que a infraestrutura estava criada, na sequência vieram empresas como Volkswagen (1953) e Mercedes Benz (1956).

Com os avanços em gestão e administração de empresas nos anos 1990, o movimento de terceirização se tornou forte na indústria de manufatura mundial, onde a regra era focar na sua atividade chave (core business) e, por sua vez, contratar as atividades secundárias por meio da terceiros.

Como resultado, vimos diversas empresas fechando sua estrutura de ferramentaria interna para comprar serviços de usinagem de terceiros. Para executarem este plano, um movimento forte foi o de elaborar um plano de demissão dos profissionais da área da ferramentaria, que em alguns casos, as máquinas e a garantia de compra de peças eram uma das moedas de negociação.

Aos poucos, formou-se um grande setor industrial, composto por pequenas e médias empresas, focado na prestação de serviços de usinagem e ferramentaria. Atualmente, o setor é extremamente relevante para a indústria de manufatura nacional e vem passando por um momento de sucessão familiar, com a segunda geração das famílias começando a operar os negócios.

Esta nova geração está alinhada com um mundo diferente do que era aquele mundo onde tais empresas foram criadas, há cerca de 5 a 40 anos em média. A diversidade vem se popularizando como um fator chave de competitividade para as empresas e temos visto que as empresas mais bem sucedidas possuem um forte programa sobre diversidade em seu planejamento estratégico.

A nova indústria e sua diversidade

“Uma empresa não consegue ser inovadora sem ter diversidade de ideias, perspectivas e pontos de vista”. Este é um trecho da entrevista com a Ana Paula de Jesus Assis — primeira mulher a ocupar o cargo de diretora da gigante da tecnologia IBM na América Latina.

Existe uma frase que diz: “Precisamos ter em nossa empresa um conjunto de pessoas com características iguais aos de nossos consumidores”. Em um primeiro momento é normal pensar em empresas que atendem o público, por exemplo uma loja de bicicletas, que deveria ter alguns ciclistas, atletas e outros que utilizam a bicicleta para transporte em seu quadro de funcionários. Porém, depois de refletir, chegamos ao ambiente das empresas de ferramentaria e usinagem.

Ao lado dos clientes diretos e indiretos de peças usinadas das grandes e médias empresas, encontram-se profissionais compradores, mecânicos de manutenção, montadores, operadores de almoxarifado, operadores fiscais, gerentes e diretores. Neste universo, existem pessoas de todos os tipos de região, cultura, gênero, experiência, entre outros atributos.

Por que a diversidade é importante para alavancar os negócios?

Alinhar um discurso de inclusão e diversidade com o que se pratica dentro de uma empresa é um grande desafio, principalmente na indústria. Devido as profundas mudanças na sociedade, equipes mais diversas estão surgindo para provar que a igualdade e a inclusão são partes essenciais no engajamento dos colaboradores e, consequentemente, nos bons resultados.

Um estudo feito pelo Hay Group no Brasil em 2015 com 170 empresas revelou que cerca de 76% dos funcionários que se preocupam com a diversidade reconhecem que possuem espaço para expor ideias e inovar no trabalho. Com isso, a pesquisa conclui que um ambiente de trabalho que exerce suas funções em prol da diversidade, tem maior estímulo à inovação. A pluralidade é sim fundamental nos processos de transformação da indústria.

Ao contrário do senso comum, essa diversidade não se trata apenas daquela baseada em características (etnia, gênero, idade ou nacionalidade), mas também com relação a forma de pensar, ideais e perspectiva de mundo formada pela cultura de cada colaborador, combinação que molda novas ideias e incentiva a geração de conhecimento.

Outra pesquisa, dessa vez realizada pela McKinsey & Company em 2016 sobre os índices de diversidade de gênero e raça das lideranças, analisou 366 grandes empresas dos EUA, Canadá, Reino Unido e América Latina, e apontou que companhias com altos índices de diversidade de gênero e etnia têm 35% mais probabilidade de obter resultados financeiros acima da média do seu segmento do que empresas com baixos índices de diversidade.

Outra grande vantagem da diversidade para a produtividade industrial é que um ambiente plural tem maior abertura às diferenças, o que faz com que conflitos, os quais normalmente atrapalham a produtividade e a eficiência, aconteçam com menos frequência. Os estudos mostraram que, nas empresas onde a diversidade é reconhecida e praticada, a existência de conflitos chega a ser 50% menor do que em outras organizações.

Diversidade e inclusão na cultura organizacional

Apesar dos estudos comprovarem os benefícios da diversidade, igualdade e inclusão na indústria, é preciso estar atento ao fato de que ainda há um longo caminho a ser percorrido para que todos os grupos de pessoas sejam contemplados, principalmente em áreas mais tradicionais, como a engenharia por exemplo. Por isso, inúmeras instituições estão criando programas e diretrizes para incentivar a igualdade e a inclusão.

Representatividade é importante como um todo, seja para os colaboradores, para os clientes ou toda a sociedade. A transformação digital é feita por talentos e toda empresa que almeja equipes talentosas deve concentrar seus esforços em cumprir com seu papel a favor da diversidade e inclusão.

Nos dias atuais, mais do que nunca, a consciência social atrai talentos. Obviamente a cultura empresarial não mudará do dia para a noite, porém pequenas ações como treinamentos sobre diversidade, oportunidades de vagas mais inclusivas, debate em reuniões e palestras internas criam um ambiente acolhedor e incentivador e que comprovadamente tendem ao sucesso.

Deixe uma resposta